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30 de abr. de 2010

"Zelig", um eficiente estudo da mutabilidade do homem

A personalidade humana é o foco de Woody Allen em "Zelig", longa dirigido pelo novaiorquino em 1983. Até hoje, é uma de suas produções mais celebradas, e méritos não lhe faltam para isso. Envolvente como poucos de seu tempo, o filme é um interesante painel das inseguranças do homem diante da sociedade, e de como ele pode levar ao extremo seu desejo de se adequar a um grupo ou contexto social. E, para personificar esse ser em busca de pertencimento, não há ninguém mais emblemático do que o próprio Allen em sua porção ator. Ciente disso, ele assume a função de interpretar Leonard Zelig.

O filme foi concebido na forma de um pseudocumentário, partindo do princípio de que a figura do protagonista existe de verdade. Allen voltaria a usar essa recurso 16 anos mais tarde, ao recrutar Sean Penn para estrelar "Poucas e boas". No caso de "Zelig", fica uma sensação maior de ineditismo no espectador. Mas qual seria a grande atração na vida desse homem, que o faz digno de um filme só seu? A resposta é tão simples quanto insólita: ele é um camaleão, no sentido mais estrito da palavra. Em cada situação na qual se encontra, ele adquire a forma exata das pessoas que os rodeiam. Essa literariedade de sua transformação ganha contornos bizarros em vários momentos do filme. Quando está reunido com judeus, Zelig ganha barba espessa e cachos nos cabelos. Se se encontra com negros, logo adquire sua cor também. Se está em meio a físicos muito inteligentes, também lhes absorve as características mais marcantes. No fundo, trata-se de um movimento deseperado de enquadramento por uma forte necessidade de adequação.
O caso tão curioso acaba despertando o interesse da doutora Eudora Fletcher (Mia Farrow, numa de suas várias colaborações com o diretor), que decide estudá-lo a fim de identificar sua disfunção. Eles logo se aproximam demais, a ponto de se apaixonarem um pelo outro. Dá-se início, a partir daí, a uma história de amor longe do convencional, que cativa pelo que tem de absurda. Para comentar os eventos que se desenrolam na vida do protagonista, há um narrador, que deixa tudo mais divertido com seu senso de humor sagaz, reforçado pelo texto sempre bem escrito de Allen. A maneira como ele alinhava sua discussão sobre a questão da personalidade, já na década de 80, é magistral. "Zelig" é um filme inovador tanto em sua forma quanto em seu conteúdo. Pela temática que elegeu para abordar, o cineasta pode ser considerado um visionário. Ainda nos dias de hoje a despersonalização está presente. Na verdade, em níveis ainda maiores que os de duas décadas atrás.

Mais uma vez, Allen abre mão das cores, como já fizera nos anteriores "Manhattan" e "Memórias", o que traduz um recorte do real para levar o público a um redimensionamento de sua percepção do mundo. A estratégia adotada por ele também tem um efeito estilístico, já que sublinha a importância da história, e não tanto dos cenários em que ela está ambientada. As atuações preciosas de Mia Farrow, de Allen e dos vários coadjuvantes ganha muita força com isso. Porque esse é também um filme de atores, cada qual perfeito em sua caracterização para seu respectivo papel. De propósito ou não, ele traz uma reflexão interessantíssima sobre a coerção social sobre todos que são diferentes. Leonard Zelig não suporta a ideia de ser descartado por sua aparência destoante, o que o leva a se mimetizar em qualquer espaço aonde vá. E o aspecto de documentário impresso à contação da trajetória desse homem é intensificado pelos depoimentos que supostos amigos próximos dele dão ao longo da projeção. Está engendrado o divertido e inteligente jogo cênico de Woody Allen, que brinca de embaralhar a verdade como é conhecida e dar a ela um novo signifcado, a fim de explicitar suas convicções sobre o assunto da personalidade do homem.
Ao longo da narrativa, Allen vai na contramão de vários clichês, preferindo nem sempre agradar ao seu espectador na condução do enredo. É claro que muitas das gags visuais a que seus seguidores estão acostumados não deixam de se fazer presentes, e nem é preciso se ter muito trabalho para identificá-las. Verborrágico como sempre, o diretor mostra que o ser humano pode se adaptar a qualquer circunstância, de forma a não ser notado quando deseja. Mas até que ponto vale o sacrifício de renunciar à própria essência por uma ânsia de pertencimento. Por que tem de ser visto com tanta negatividade quem busca romper o status quo? A opinião alheia, que rege totalmente a vida de Zelig, não deveria ter tanto poder sobre ele. E essa consideração vale para qualquer um que põe o que os outros esperam na frente de qualquer atitude que pense em tomar. O filme está longe de ser didático, e de passar uma mensagem edificante a respeito da natureza humana, o que não seria mal. Contudo, essa não é uma das funções primárias do cinema. Aliás, o cinema não tem função alguma, a não ser aquela que atribuimos a ele, ao sabor de nossas vontades e intenções.

2 de fev. de 2010

Neuroses e egocentrismo em "Celebridades"

Há quem diga que o ápice da carreira de Woody Allen esteja localizado na década de 70, época em que ele lançou "Noivo neurótico, noiva nervosa" e "Manhattan", clássicos indiscutíveis. O que foi produzido pelo diretor nas décadas seguintes, especialmente a de 90, costuma ser tratado como parte marginal de sua obra.
Mas o fato é que os filmes dirigidos por Allen nesse período também têm, sim, o seu valor. É o que se pode afirmar de "Celebridades", longa com o qual ele prossegue em sua inteligente abordagem do comportamento humano e das inseguranças de cada um de nós debaixo de muito senso de humor. Humor não apreciado por todos, é verdade. Mas não é de maiorias que o cinema de Woody Allen sobrevive.

Aqui, ele flagra os percalços enfrentados por um protagonista que, surpreendentemente (!), não é interpretado por sua porção ator. Trata-se de Kenneth Branagh, que vive Lee Simon, um repórter que se separa da mulher, vivida por Judy Davis, e busca trilhar novos caminhos para desvencilhar sua trajetória da dela. Logo, ele se empolga com as mil possibilidades que se lhe abrem nessa nova caminhada. É fato notório que Brannagh assume para si a persona alleniana, incorporando trejeitos típicos do diretor, como se fosse ele próprio em cena. Aqui reside um dos argumentos dos detratores de Allen para classificá-lo como egocêntrico. Seja como for, não interessa encontrar as razões que o levam a isso, mas apreciar mas esse apaixonante exercício de estilo do cineasta, que volta a usar fotografia em preto e branco, e também um elenco estelar. Essa era a tendência que ele vinha demonstrando desde "Todos dizem eu te amo" (1996), e que se encerraria por ali.
Quem conhece um pouco do universo do diretor vai encontrar, como de hábito em seus filmes, muita verborragia, traduzida num tipo de humor muito rebuscado, que não se firma em piadas óbvias, e lida o tempo todo com temas ousados ou até polêmicos, mas também universais. O público encontra em "Celebridades" a afetação dos ricos e famosos, com todas as suas neuroses e inseguranças. Os personagens não apresentam um perfil heroico, irrepreensível, mas exteriorizam sua inquietude com o que são e com a maneira como vivem. Alguns tipos são facilmente reconhecidos no mundinho dos astros e aspirantes a tal posto, e que, no filme, são personificados com grande talento por nomes como Melanie Griffith (há tempos longe de um grande papel) e Leonardo DiCaprio. A dobradinha formada por eles, nos papéis de amantes, rende cenas tanto hilárias quanto reflexivas. Griffith dá vida a uma atriz em ascensão que passa por Lee, e está interessada em toda a visibilidade que a fama pode trazer para ela. DiCaprio, por sua vez, se sai muito bem como um sujeito rufião, que impõe sua virilidade à custa de muita violência. Qualquer semelhança como jovens atores cheios de empáfia que pipocam diariamente nas revistas de fofoca não terá sido mera coincidência...
Com um elenco tão numeroso, Allen consegue construir uma ampla galeria de personagens, e há espaço inclusive para modelos cheias de beleza, mas conteúdo, nem tanto. É quando surge Charlize Theron, linda, como uma das "figuras públicas" com as quais o protagonista se envolve. A parceria entre Allen e Theron ainda renderia "O escorpião de jade", três anos depois. O que parece mover o tempo todo esse personagem é a busca por um lugar no mundo, característica sintomática na obra de Allen. Como homem, ele quer estar encaixado em alguma prateleira , e, como artista, entender seu verdadeiro papel. Como é comum com cineastas de grande talento, na filmografia de Allen há uma temática recorrente, conhecida com facilidade. A graça não está em ser sempre original, mas em tratar de um mesmo assunto por meio de diversas abordagens. Nada mais é do que olhar o velho como se fosse novo. A viagem pelo universo mágico que é o cinema, então, torna-se mais importante do que a chegada propriamente dita.

"Celebridades" mantém um ritmo regular, evidenciando novamente o timing perfeito de Allen para fazer suas colocações sarcásticas sobre a guerra de egos que se trava, silenciosamente ou não, nos bastidores daqueles cujas vidas são sinônimo de glamour, e alimentam a curiosidade quase doentia dos "pobres mortais" que os admiram a uma certa distância. A frivolidade desses chiques e vazios é quase aviltante para as ditas celebridades, mas constitui uma excelente argamassa para o filme se tornar nada menos que ótimo. Tem-se o emprego da metalinguagem com bastante eficiência, tal qual o diretor já fizera em "A rosa púrpura do Cairo", gema de sua carreira situada na década de 80. O roteiro bem azeitado, a cargo do diretor, como usualmente, é mais um indício de que há uma boa história a ser contada.
São muitos os destaques do filme, e citar todos requereria, pelo menos, um parágrafo para cada um. A constelação alleniana se completa, além dos nomes supracitados, com Winona Ryder, Hank Azaria, Joe Mantegna, Bebe Neuwirth, e até Sam Rockwell numa pequena aparição. Dá prazer ver tanta gente boa em cena, demonstrando entrega a seus personagens. Realmente, essa não é uma das obras-primas do diretor, mas entusiasma por sua construção acurada e interessante, aliando bons diálogos, ótimas sequências, e uma boa reflexão sobre o que é ser famoso nesses dias de hoje. Com uma mescla de jogo de aparências, atos inconsequentes e a insatisfação que move a todos nós na procura pelo rompimento da monotonia.

6 de dez. de 2009

Romantismo e fugacidade em "Todos dizem eu te amo"

A instabilidade dos sentimentos é o grande tema de "Todos dizem eu te amo", vigésimo sexto filme da carreira de Woody Allen. Cineasta dos mais produtivos, seu ritmo atual de produção, um filme por ano, começou ainda nos anos 80. De lá para cá, sua obra tem tido, segundo a crítica especializada, momentos de plena inspiração e instantes de certa debilidade criativa.

Mas para fãs essa divisão faz pouco sentido, visto que, a exemplo de outros filmes, "Todos dizem eu te amo" versa sobre temas corriqueiros para qualquer mortal. Estão lá os arrepios típicos da paixão, as besteiras que todos fazemos diante da
pessoa amada unicamente com o intuito de impressioná-la, e a incerteza em relação a uma vida inteira ao lado de uma pessoa. Pode ser que, em alguns casos, Allen não tenha sido muito feliz na captação desses assuntos em seus filmes, mas é sempre uma delícia acompanhar a trajetória de seus tipos desajustados, loucos adoráveis.
Num filme que fala escancaradamente de amor como esse, não poderiam ficar de fora cidades tão românticas como Paris e Veneza. E elas aparecem, com tal força que podem ser consideradas personagens da narrativa. A presença de ambas é luminosa, principalmente Paris, que serve de cenário para uma dança entre os personagens de Allen e Goldie Hawn.

"Todos dizem eu te amo" conta, de maneira musicada, as histórias de amor de uma família tipicamente novaiorquina (mais alleniano, impossível). Cada membro do clã dos quais Joe (Allen) e Steffi (Hawn) são patriarcas vive, à sua maneira, uma paixão. Como Skylar (Drew Barrymore), que está encantada por Holden (Edward Norton), com quem vai se casar logo. E também as irmãs Laura (Natalie Portman, ainda adolescente) e Lane (Gaby Hoffman), que estão experimentando o sentimento pela
primeira vez. Há vários outros personagens que transitam pela história ao longo de seu transcorrer, e citar todos seria como transcrever uma lista telefônica.
Cada um deles, ao se juntar, forma um coro divertido de canções, que servem de elemento de ligação entre as subtramas do filme. Aliás, ele pode ser apreciado como um musical desengonçado sobre as armadilhas do amor, e também sobre suas consequências, ora cômicas, ora dramáticas. Os personagens têm todos uma aura cativante, e são muitos os destaques em todo o longa. Julia Roberts, por exemplo,

está perfeita como uma mulher inconstante que deseja uma aventura para sair da mesmice do seu casamento, mas que, depois, percebe que precisa da rotina de antes. O avô da família também é outro achado, com suas atitudes insólitas, que enlouquecem a todos, principalmente a empregada. Há, ainda, espaço para discussões entre pai e filho por causa de diferenças de opinião política, e é essa uma das passagens em que o humor arguto de Allen entra em ação, questionando a validade do comunismo ou do capitalismo.
No geral, o filme tem um roteiro bastante inspirado, e entretém do início ao fim com suas piadas inteligentes e suas locações charmosas. Desde os primeiros minutos, o espectador é seduzido por cenas divertidas e situações inesperadas que podem surgir para os amantes. Como na sequência em que Holden vai a uma joalheria comprar um anel de noivado para Skylar, e se vê sem muitas escolhas por causa do alto preço das joias. Quando, enfim, escolhe uma, começa a cantar e dançar junto com os clientes do lugar, comemoranro seu casamento vindouro. Até mesmo fantasmas camaradas entram em cena. Assim, o público vai acompanhando com atenção e curiosidade o desenrolar das ações. Definindo em poucas palavras, pode-se dizer que é um filme recomendado para quem ama amar.

9 de ago. de 2009

"A rosa púrpura do Cairo", uma declaração de amor ao cinema

Woody Allen adora se utilizar da metalinguagem, nas mais diferentes formas. Seja falando do universo dos ricos e famosos (Celebridades), seja desnudando as agruras existenciais de um diretor (Desconstruindo Harry), seja mostrando o mundo da magia (Scoop - O grade furo). De tempos em tempos, o cineasta se volta para esse profícuo terreno.
"A rosa púrpura do Cairo" talvez seja um dos exemplos mais felizes de incursão nesse ambiente. O próprio Allen já declarou que é o seu filme favorito.
Aqui, ele narra a história de uma simpática garçonete apaixonada por cinema. Quase todos dos dias, ela vai à sala escura de sua pequena cidade e se delicia com o que estiver em cartaz. Essas idas ao cinema são como escapadas que ela dá do mundo real. Uma espécie de refrigério em meio à realidade triste que ela vive. Seu marido (Danny Aiello) é um bronco que vive de explorá-la, o que a torna ainda mais desiludida.
Depois de ver e rever um filme chamado "A rosa púrpura do Cairo", ela testemunha o que parecia impossível: o ator principal, cujas falas ela já havia decorado, sai da tela, e passa a viver na realidade. O romance entre os dois é quase inevitável.
Desde o início, o filme é uma declaração apaixonada ao cinema, conduzida com simplicidade e genialidade. Estão lá algumas marcas de sua direção: diálogos ágeis, trama divertida sem abrir mão da inteligência, algumas neuroses dos personagens principais.
Não é preciso muito para que um filme se torne inesquecível, e "A rosa púrpura do Cairo" consegue o feito com poucos elementos. A sucessão de fatos engraçados que se dá após a saída do protagonista do filme é um dos achados do longa. Jeff Daniels se sai muito bem na pele do personagem, e também do ator que interpreta o personagem. O ator consegue imprimir uma marca diferente a cada um dos tipos, o que resulta numa interpretação de primeira.
Apesar da ausência de Allen na frente das câmeras, Mia Farrow segura muito bem o interesse por sua protagonista, e está no limite exato entre a doçura e a ingenuidade.
Esse é daqueles filmes que conquistam o espectador à primeira cena, por sua atmosfera de lirismo e encantamento. Da extensa galeria alleniana, é um dos que mais merecem ser visto e revisto. Trata-se de um convite à fantasia impossível de se recusar.

14 de jul. de 2009

"Noivo neurótico, noiva nervosa" ou as armadilhas de uma relação

Falar a respeito de um filme tão aclamado e incrível como é "Noivo neurótico, noiva nervosa" é entrar num terreno de areia movediça. Afinal, qualquer consideração a respeito da obra pode ser encarada como mera rasgação de seda. Mas, ainda que se corra esse risco, seguem-se as linhas abaixo sobre o filme.
A história que vemos ser contada aqui é a de Alvy Singer (Woody Allen) e Annie Hall (Diane Keaton) e das respectivas neuroses que os acompanham. Ele é um humorista que vem de uma família judia (sabidamente, uma das obsessões de Allen em sua filmografia). Ela, uma cantora de casas noturnas.
Tão logo se conhecem, eles se encantam e se apaixonam um pelo outro. Mas, dia após dia, verão seu relacionamento ser minado. Não por forças externas, mas pelas pequenas loucuras de cada um deles. Numa paráfrase às avessas com a célebre frase de Sartre, o inferno são eles mesmos.
Allen filma meticulosamente todas as dores e alegrias que vêm com o amor. Há sempre o ônus do bônus, e o diretor deixa isso bastante claro desde o início da filmagem. Vemos os momentos mais triviais do relacionamento de Alvy e Annie sendo retratados calmamente pela câmera de Allen, e o humor surge de forma bem naturalista.
Uma das cenas mais icônicas de todo o filme é a do casal na fila de um cinema, ocasião na qual eles discutem sobre o filme que assistirão, e Alvy se incomoda com os comentários inconvenientes do espectador que está logo atrás dele. Uma sequência antológica, que beira o magistral.
Quando Woody Allen lançou o filme, corria o longínquo ano de 1977, e ele vinha de uma carreira ainda curta como diretor, iniciada em 1969 com "Um assaltante bem trapalhão". Aqui, entretanto, já aparecem as marcas registradas de sua obra: verborragia, aliada a uma flagrante mordácia, que se refletem em diálogos inspirados, protagonistas inseguros e deslocados no mundo e muitas situações inusitadas.
Alvy não tem medo de ser ridículo, e até tenta de tudo pelo seu romance com Annie, mas ambos são pessoas complicadas e cheias de incertezas. Seres humanos, afinal.
O relacionamento dos dois chega ao fim, e a certeza que se tem com isso é apenas uma: o homem sempre precisa de uma companhia, como uma galinha necessita dos ovos que choca. Essa é umas das frases finais do filme, quando Alvy vai ao psiquiatra e diz que seu irmão pensa ser uma galinha. Questionado sobre o porquê de não alertar o irmão a respeito de seu engano, ele diz que precisa dos ovos. Menos do que genial, impossível.